Felici e sfruttati: tracce brasiliane

Mi accorgo con un po’ di ritardo che la mia recensione del libro di Carlo Formenti è stata tradotta e ripresa da alcuni siti Brasiliani: l’Instituto Humanitas Unisinos – IHU, il blog Relatividade e il blog del collettivo Brasil Autogestionário.

Erroneamente mi si accasa presso l’International Society for the Interaction of Mechanics and Mathematics, probabilmente indotti in errore dalla mia passata esperienza nell’ISIMM, dove peraltro non lavoro più da qualche anno.

In ogni caso, ecco la traduzione (di Moisés Sbardelotto) del mio articolo in portoghese:

É um Carlo Formenti deliberadamente polêmico o de Felici e sfruttati. Capitalismo digitale ed eclissi del lavoro [Felizes e explorados. Capitalismo digital e eclipse do trabalho] (Ed. Egea, 149 páginas). Em uma mistura de indignação e de irritação, com uma linguagem sarcástica, direta e assertiva, o autor se joga contra a audácia dos gurus da New Economy, o cinismo dos retóricos da Wikinomics e a ilusão das utopias igualitárias da web. A fúria destrutiva arrasta estudiosos como Lawrence Lessig, Yochai Benkler e Manuel Castells.

Os seus discursos sobre a cooperação espontânea, sobre a atenuação da propriedade intelectual, sobre a exaltação da ética hacker e do software livre não fariam nada mais do que aplainar o caminho para um novo tipo de capitalismo digital, na origem do mais colossal processo de concentração monopolista da história do capitalismo.

Como todas as revoluções tecnológicas, a digital também iludiu progressistas e libertários no seu porte emancipatório, na sua capacidade de fundar um novo modo de produção pós-capitalista. Mas a crise da New Economy de 2001, a consequente reestruturação do setor e o tsunami dos subprimes de 2008, segundo o autor, definitivamente esmagaram as ambições de uma “classe criativa” que o sociólogo norte-americano Richard Florida via como destinada a liderar uma sociedade baseada na rejeição das hierarquias, na tolerância e na valorização do talento.

Ao contrário, as tecnologias digitais, longe de favorecer uma liberação do trabalho da relação e produção capitalista, estariam na origem de incrementes de produtividade, sobretudo no campo do trabalho criativo, onde o software progressivamente está substituindo e tornando obsoleto o trabalho humano, mesmo nos cargos de projeto, gestão e controle.

Somando a isso as tendências à deslocalização do trabalho qualificado para países em desenvolvimento, o que emerge é um quadro que vê o Ocidente industrializado sem vetores estruturais capazes de criar bons empregos. Continua sendo um trabalho fragmentado e precarizado, que dificilmente poderá ser atravessado por uma consciência capaz de organizá-lo como classe. Ou melhor, o trabalhador do conhecimento tende a ser intolerante para com um chamado a se dotar de instrumentos de luta coletivos, preferindo um caminho individual de êxodo do trabalho assalariado para formas de trabalho autônomo de segunda geração. Uma mudança que vê a esquerda tradicional em grande atraso.

O trabalho do prosumer

A partir do compartilhamento das sua análise sobre a rejeição do trabalho, Formenti se confronta também com as teorias neo-operaístas, centradas na reinterpretação do famoso fragmento sobre as máquinas dos Grundrisse. Reinterpretando o Marx do primeiro livro de O capital e particularmente do capítulo VI inédito, para Formenti, justamente, as tecnologias de rede aplicadas à produção de conhecimento estão na base de uma nova forma de taylorismo digital, destinado a submeter o trabalho vivo ao domínio de máquinas e de algoritmos.

É verdade – reconhece Formenti – que a rede favoreceu o nascimento de novas formas de cooperação social para a produção de bens não comerciais, mas também é verdade que o capital as usa para se apropriar sistematicamente de recursos que, anteriormente, gozavam do status de commons imateriais, subtraídos do domínio do mercado, além de para explorar o trabalho gratuito de milhões de prosumers conectados via Internet (prosumer é um neologismo usado para indicar aqueles consumidores que participam ativamente na definição dos limites de um artefato digital, fornecendo ideias para superá-los e, assim, ativando os mecanismos de inovação virtuosos e gratuitos para as empresas).

Mas se equivocam também os teóricos neo-operaístas quando, animados por uma fé inabalável e cega na capacidade da multidão de inventar sempre novas formas de auto-organização democrática, acabam paradoxalmente convergindo com os entusiasmos utópicos dos gurus da web 2.0.

Aí vêm os chineses

A inadequação do pensamento neo-operaísta se manifestaria na incapacidade de passar da análise dos mecanismos da nova economia para a análise da composição de classe, tendo-a abandonado para adotar uma visão metafísica da oposição entre capital e vida. A categoria de multidão seria, portanto, uma categoria sem consistência, abstração sem carne nem sangue, que ocultaria a incapacidade de responder à questão da organização.

Porém, a partir dos e-mails enviados pelo movimento zapatista no distante 1994, passando pela organização dos movimentos de Seattle, dos Fóruns Sociais Mundiais, dos movimentos juvenis e estudantis, terminando com as recentes convulsões que incendiaram o norte da África e do Oriente Próximo, as novas tecnologias de comunicação têm-se revelado um formidável meio, capaz de potencializar processos organizativos de baixo.

Essas considerações não bastam para o martelo pneumático de Formenti, que avança demolindo qualquer esperança frágil de mudança, definitivamente afundada por um pessimismo estrutural que chega a identificar uma cumplicidade cultural entre movimentos e discurso do capitalista. É justamente a cultura dos movimentos que abriria caminho para novas modalidades de acumulação capitalista, com base na produção de emoções e de experiências, moldando ao mesmo tempo um material humano que se presta à seleção da elite inovadora.

O único clarão capaz de iluminar uma noite escura e gélida parece vir dos países emergentes como a China, onde se poderia abrir um novo ciclo de lutas fundado na convergência de interesses entre neoproletariato industrial, classe criativa e migrantes. Só resta, portanto, esperar na margem do rio, armados com paciência chinesa.

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